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Editorial
Manuel Gonçalves -
Presidente da Direcção da FNAP
Desde 2002 que o sector apícola português tem vindo a crescer de forma
sustentável, afirmando-se
como uma actividade económica de futuro no panorama agrícola nacional.
As especificidades da
apicultura, enquanto promotora da biodiversidade, da preservação da
paisagem, a capacidade de
gerar rendimentos em áreas do território incapazes de sustentar outra
actividade económica
rentável, são as principais vantagens comparativas que este sector tem a
oferecer a Portugal.
Contribuímos diariamente para a fixação das populações nas zonas rurais
mais desfavorecidas,
sendo um importante factor de coesão social e económico, pelo que
precisamos de apoio, mas
também precisamos que nos deixem respirar e caminhar sozinhos.
Com o começo de mais uma Primavera, época que significa para o apicultor
o renovar da
esperança numa boa produção, vimos finalmente protegidas as abelhas dos
actos, por vezes
irreflectidos dos homens. Após anos de alertas e chamadas de atenção dos
apicultores portugueses
e europeus, a Comissão Europeia decidiu proteger as nossas abelhas do
uso indiscriminado de
pesticidas na agricultura, com a publicação da Directiva 2010/21/CE de
12 de Março de 2010.
Será também nesta Primavera que o Mel vê finalmente reconhecido o seu
valor enquanto produto
de excelência da Agricultura Portuguesa. A realização do I Concurso
Nacional de Mel, aquando da
próxima Feira Nacional da Agricultura muito nos orgulha, pois trata-se
de um evento de cariz
nacional, inserido num certame de elevada notoriedade e de grande
reconhecimento por largas
franjas da sociedade portuguesa.
Como em todas as Primaveras, a instabilidade climática poderá
comprometer o trabalho das
abelhas e a produção de mel. Esta não será diferente e, a indefinição
que se verifica nos Programas
de Apoio ao desenvolvimento da actividade assim o demonstra. Com a ajuda
e a participação das
organizações de apicultores do nosso país, a gestão das principais
ferramentas de apoio é hoje
diferente do que foi no passado. As alterações introduzidas, visavam
adequar estas ajudas às
necessidades do sector, nomeadamente no que respeita às ajudas ao
combate à Varroose; a
participação das organizações de apicultores permite a adequação dos
tratamentos, às necessidades
específicas de cada região. Infelizmente este modelo de funcionamento
tem tido muitos problemas
e obstáculos, pelo que a aplicação destes fundos, que a apicultura
portuguesa tão necessita, tem
sido escassa, sendo devolvidos anualmente a Bruxelas milhares de Euros
que ficam por aplicar na
melhoria das condições sanitárias do efectivo apícola nacional.
Os apicultores portugueses exigem que as verbas que se lhes destinam
possam ser utilizadas em
benefício da Apicultura Nacional, o que a manter-se a situação
actualmente vigente, não se
verificará.
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