Publicação Trimestral

Nº 68 Abril/Junho 2010

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Editorial

Feira Apícola de Castilha-La Mancha

A História Contada pelo ADN Mitocondrial: Padrões Geográficos de Diversidade Genética da Abelha Melífera em Portugal (Continente e Ilhas)

O Sexo no Mundo das Abelhas

Nucléolo de Fecundação para Quadros de Alça

Colony Collapse Disorder

A Varroose e a Selecção Natural

Há Mel na Cidade

Mel de Melada de Azinho
   

 

 

Editorial

 

 

Manuel Gonçalves - Presidente da Direcção da FNAP


Desde 2002 que o sector apícola português tem vindo a crescer de forma sustentável, afirmando-se
como uma actividade económica de futuro no panorama agrícola nacional. As especificidades da
apicultura, enquanto promotora da biodiversidade, da preservação da paisagem, a capacidade de
gerar rendimentos em áreas do território incapazes de sustentar outra actividade económica
rentável, são as principais vantagens comparativas que este sector tem a oferecer a Portugal.
Contribuímos diariamente para a fixação das populações nas zonas rurais mais desfavorecidas,
sendo um importante factor de coesão social e económico, pelo que precisamos de apoio, mas
também precisamos que nos deixem respirar e caminhar sozinhos.
Com o começo de mais uma Primavera, época que significa para o apicultor o renovar da
esperança numa boa produção, vimos finalmente protegidas as abelhas dos actos, por vezes
irreflectidos dos homens. Após anos de alertas e chamadas de atenção dos apicultores portugueses
e europeus, a Comissão Europeia decidiu proteger as nossas abelhas do uso indiscriminado de
pesticidas na agricultura, com a publicação da Directiva 2010/21/CE de 12 de Março de 2010.
Será também nesta Primavera que o Mel vê finalmente reconhecido o seu valor enquanto produto
de excelência da Agricultura Portuguesa. A realização do I Concurso Nacional de Mel, aquando da
próxima Feira Nacional da Agricultura muito nos orgulha, pois trata-se de um evento de cariz
nacional, inserido num certame de elevada notoriedade e de grande reconhecimento por largas
franjas da sociedade portuguesa.
Como em todas as Primaveras, a instabilidade climática poderá comprometer o trabalho das
abelhas e a produção de mel. Esta não será diferente e, a indefinição que se verifica nos Programas
de Apoio ao desenvolvimento da actividade assim o demonstra. Com a ajuda e a participação das
organizações de apicultores do nosso país, a gestão das principais ferramentas de apoio é hoje
diferente do que foi no passado. As alterações introduzidas, visavam adequar estas ajudas às
necessidades do sector, nomeadamente no que respeita às ajudas ao combate à Varroose; a
participação das organizações de apicultores permite a adequação dos tratamentos, às necessidades
específicas de cada região. Infelizmente este modelo de funcionamento tem tido muitos problemas
e obstáculos, pelo que a aplicação destes fundos, que a apicultura portuguesa tão necessita, tem
sido escassa, sendo devolvidos anualmente a Bruxelas milhares de Euros que ficam por aplicar na
melhoria das condições sanitárias do efectivo apícola nacional.
Os apicultores portugueses exigem que as verbas que se lhes destinam possam ser utilizadas em
benefício da Apicultura Nacional, o que a manter-se a situação actualmente vigente, não se
verificará.

 


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