Aproxima-se o fim de mais um ciclo apícola.
É hábito nosso tentar fazer a sua avaliação e caracterização,
reduzi-lo a umas quantas linhas recheadas de parâmetros e
adjectivos. Segue-se a sua inclusão num todo maior, apontamentos de
muitos anos e com isso obter uma sequência lógica, ou pelo menos com
algum sentido.
Recordo as palavras de Leonel Belchior, há uns anos atrás, após
décadas de observações e anotações dos anos apícolas, garantiu-me
que não encontrou dois iguais.
Este ano não fugiu à regra: foi diferente! Uns culparam o excesso de
chuva pelas baixas produções de Primavera, outros estão-lhe gratos
pela boa colheita. Nuns locais a falta de enxames, outros queixam-se
do excesso de enxameação…
Constante não é só a mudança, como escreveu o poeta, constante tem
sido o descontrolo no combate à varroose. Fenómeno que só tem
paralelo no desalento dos apicultores, o dia dos tratamentos é uma
roleta russa, há quem atire uma moeda ao ar para decidir o
medicamento a utilizar.
Apesar de tudo os mercados continuam a escoar o mel. Não aos preços
que desejávamos, número impossível de definir, mas cobre as despesas
e sobra algum lucro, pérolas em tempo de crise. Já se fala no
entanto em estagnação dos ditos mercados, uma lei obscura vinda da
Europa do Norte, que já fala em pólen transgénico e na sua
incompatibilidade com géneros alimentares, há quem o negue… ou não…
Vamos enterrar a cabeça na areia? Normalmente funciona, até que
chova…