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Editorial
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Ainda falta muito para o “lavar dos cestos” apícolas, mas a
Primavera de 2012 parece ser o retrato fiel da economia e do ânimo
dos portugueses: a seca generalizada a todo o território deixa já
adivinhar as consequentes quebras na produção e demais desaires.
Ao contrário do que já sucede por esse mundo fora, continuamos a
encarar os factores ambientais com alguma/muita passividade,
descurando as vantagens dos pastos apícolas cultivados, nomeadamente
pelos próprios apicultores…
Ironicamente, é da agricultura que parecem vir as piores ameaças
para as abelhas. A utilização indiscriminada de pesticidas está cada
vez mais relacionada com o colapso das colónias. Questiona-se o
papel das entidades oficiais, tão criteriosas na fiscalização dos
acaricidas contra a Varroose e tão permissivas na utilização de
agrotóxicos nas culturas, alguns deles proibidos noutros países da
Europa.
Aguardamos com expectativa o desvendar das potencialidades genéticas
e selectivas da Apis mellífera iberiensis, face a um ambiente
continuamente em mudança e onde infelizmente as abelhas parecem
estar a perder terreno. Para lá dos patogénicos, parasitas e
predadores conhecidos, a apicultura continua a ser alvo de
constantes ameaças e a Vespa velutina já começou a causar
estragos.
Sem procurar muito continuamos a encontrar bons exemplos, autênticos
modelos a seguir para levar a bom termo os desafios que ora se nos
deparam. As mulheres na apicultura, uma realidade que cada vez mais
é a deste sector.
Congratulamo-nos com o facto de o Brasil e Portugal continuarem a
trilhar um caminho comum no sentido de melhorarem as condições de
produção e processamento do mel, conferindo cada vez mais a este
produto o estatuto e a qualidade que lhe são reconhecidos.
Os parabéns à APEZ e à UTAD pelo sucesso conseguido nas 1.as
Jornadas Internacionais de Apicultura, onde “A nossa acção
tem-se pautado fundamentalmente pela realização de Jornadas e/ou
Congressos de carácter técnico e científico, tentando estreitar a distância, por vezes excessiva, que existe entre os que fazem o
saber e os que o aplicam” há muito deveria ser o exemplo a
seguir pelos centros de investigação.
Joaquim Pífano
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